Tendinite de Aquiles: Dor no Tendão que Não Deve Ser Ignorada

O tendão de Aquiles é o mais forte do corpo humano, funcionando como uma verdadeira mola que absorve e impulsiona nossos passos. No entanto, por ser intensamente solicitado, é um dos que mais sofre com a sobrecarga repetitiva. A dor costuma aparecer logo acima do calcanhar e pode limitar desde caminhadas simples até a prática esportiva de alto rendimento.

Existem diferentes causas possíveis para a dor, e o diagnóstico correto é o primeiro passo para o sucesso do tratamento. Quando não avaliada corretamente, essa condição pode evoluir para quadros de degeneração crônica e até o risco de ruptura.

O que causa a dor no tendão de Aquiles?

Na maioria das vezes, o que chamamos de "tendinite" não é apenas uma inflamação aguda, mas um processo de tendinose — uma degeneração progressiva das fibras do tendão. Os fatores mais comuns incluem:

  • Aumento súbito da intensidade de treinos.
  • Encurtamento da musculatura da panturrilha (que puxa o tendão excessivamente).
  • Uso de calçados inadequados para o seu tipo de pisada.
  • Envelhecimento natural do tecido, com perda de elasticidade.

Sintomas de alerta: Quando procurar avaliação médica?

Fique atento se você apresentar:

  • Dor ao dar os primeiros passos logo pela manhã.
  • Espessamento ou um “caroço” palpável na região do tendão.
  • Sensação de rigidez ou crepitação ao movimentar o tornozelo.

Nota importante: A dor persistente associada ao aumento da espessura do tendão indica que o tecido está perdendo sua integridade, aumentando o risco de lesões maiores.

Tratamentos Modernos e Intervencionistas

Hoje, o tratamento não foca apenas no repouso, mas sim em recuperar a função. O objetivo dos procedimentos é permitir que o paciente retome a reabilitação com mais conforto e segurança. Cada caso precisa ser individualizado.

1. Infiltração Peritendínea Guiada por Ultrassom

Diferente das infiltrações comuns, esta é feita com precisão milimétrica ao redor do tendão (no paratendão) e nunca dentro dele. Isso ajuda a controlar o processo inflamatório local sem enfraquecer as fibras tendíneas, criando uma "janela" sem dor para o fortalecimento.

2. Viscossuplementação Peritendínea

Em casos selecionados de desgaste crônico, o uso de ácido hialurônico ao redor do tendão ajuda a melhorar o deslizamento entre os tecidos e reduzir o atrito, funcionando como um "lubrificante" biológico que favorece a cicatrização.

3. Hidrodissecção de Nervos por Ultrassom

Muitas vezes a dor tem um componente neuropático (em queimação ou choque). Através do ultrassom, conseguimos injetar volume para desprender pequenos nervos que ficaram "aprisionados" pela inflamação crônica, devolvendo a mobilidade nervosa.

Conclusão

A dor no tendão de Aquiles não deve ser normalizada. Um tendão que dói ou engrossa está sinalizando que atingiu seu limite de carga. Com uma avaliação precisa e técnicas intervencionistas, é possível interromper o ciclo de dor e evitar complicações graves.

A avaliação médica é fundamental para saber se o procedimento é indicado no seu caso.

Agende sua consulta para avaliar seu caso e definir o melhor caminho de tratamento

Dr. Otto Beckedorff
Escrito por

Dr. Otto Beckedorff

Dr. Otto Beckedorff – CRM 226325SP | RQE 139078

Sou ortopedista com formação pelo Hospital Vera Cruz (Campinas/SP) e atuação focada no diagnóstico e tratamento da dor musculoesquelética, especialmente dores na coluna, joelho, quadril e ombro. Atendo pacientes com dores agudas ou crônicas, que muitas vezes convivem com limitações físicas e impacto direto na qualidade de vida.