PRP na Coluna Lombar: A Medicina Regenerativa no Tratamento da Discopatia

A dor lombar crônica é uma das principais causas de afastamento do trabalho e perda de qualidade de vida no mundo. Em muitos pacientes, a origem do problema não está nas facetas articulares nem em uma hérnia de disco extrusa comprimindo raízes nervosas, mas sim no próprio interior do disco: a chamada dor discogênica por discopatia degenerativa.

Com a publicação da Resolução CFM nº 2.464/2026, a discopatia degenerativa lombar passou a ser uma das quatro condições musculoesqueléticas oficialmente autorizadas no Brasil para o uso adjuvante do Plasma Rico em Plaquetas (PRP) autólogo.


O que Acontece no Disco Degenerado?

O disco intervertebral funciona como um amortecedor hidráulico entre as vértebras da coluna. Ele é composto por duas partes:

  1. Núcleo Pulposo: Centro gelatinoso rico em água e proteoglicanos.
  2. Anel Fibroso: Camadas concêntricas de colágeno resistente que contêm o núcleo.

Com o envelhecimento, sobrecarga repetitiva ou predisposição genética, o disco perde sua hidratação e sofre microfissuras no anel fibroso. Essas fissuras são colonizadas por pequenos vasos e terminações nervosas sensíveis à dor (inervação nociceptiva patológica), liberando mediadores inflamatórios intensos toda vez que a pessoa se inclina, senta por longos períodos ou pega peso.


Como o PRP Atua na Discopatia Lombar?

O Plasma Rico em Plaquetas é preparado no próprio dia do procedimento através da coleta do sangue do paciente em circuito fechado estéril.

Ao ser introduzido de forma precisa na região do anel fibroso e do complexo peridiscal, os fatores de crescimento plaquetários (como TGF-β1, IGF-1 e PDGF):

  • Desativam a neuroinflamação: Diminuem as citocinas pró-inflamatórias responsáveis pela dor profunda e constante.
  • Favorecem o reparo do anel fibroso: Estimulam a síntese de colágeno e proteoglicanos pelas células do disco.
  • Estabilizam o microambiente discal: Evitam a progressão rápida da perda de altura discal e formação de bicos de papagaio (osteófitos reativos).

Para Quem é Indicado o PRP na Coluna?

O PRP na coluna lombar é indicado após criteriosa avaliação médica e exames de imagem (Ressonância Magnética com cortes sagitais e axiais T2 evidenciando desidratação discal ou alterações de Modic tipo I/II).

Indicações Típicas:

  • Pacientes com dor lombar crônica há mais de 3 a 6 meses sem resposta a remédios e fisioterapia convencional.
  • Pacientes que desejam evitar procedimentos agressivos, como a cirurgia de artrodese (fusão óssea com parafusos e hastes).
  • Desgaste discal leve a moderado (doença degenerativa discal sem colapso ósseo completo ou estenose crítica do canal).
  • Dor que piora ao permanecer muito tempo sentado ou ao flexionar o tronco para a frente.

Como é Feito o Procedimento?

Para a segurança do paciente e máxima eficácia, o procedimento jamais é realizado às cegas:

  1. Ambiente Controlado: Realizado em centro cirúrgico ambulatorial ou sala de procedimentos equipada com suporte anestésico para sedação leve e conforto absoluto.
  2. Guiamento por Radioscopia / Escopia em Tempo Real: O médico utiliza um arco cirúrgico de raio-x para acompanhar a ponta da cânula milímetro a milímetro até a estrutura discal exata.
  3. Sem Cortes: Feito através de cânulas extremamente finas, sem necessidade de incisões ou pontos cirúrgicos.
  4. Alta no Mesmo Dia: O paciente permanece em observação por 1 a 2 horas e recebe alta para repouso relativo em casa no mesmo dia.

PRP Substitui a Cirurgia da Coluna?

O PRP é uma ferramenta de medicina intervencionista conservadora. Ele não tem a função de desfazer uma hérnia volumosa sequestrada que esteja causando perda de força na perna (déficit neurológico agudo). No entanto, para a grande maioria dos pacientes com dor discogênica e inflamação crônica, o PRP associado a uma boa reabilitação muscular oferece uma alternativa biológica moderna, segura e sem as complicações inerentes a grandes cirurgias abertas.

O Dr. Otto Beckedorff (CRM-SP 226325 | RQE 139078), médico ortopedista com foco nos tratamentos de dor na coluna e articulações, realiza a avaliação detalhada da coluna lombar no Instituto Orthesen em Campinas e no corpo clínico do Hospital Vera Cruz, alinhando as mais recentes tecnologias intervencionistas à regulamentação do CFM.

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Dr. Otto Beckedorff
Escrito por

Dr. Otto Beckedorff

Dr. Otto Beckedorff – CRM 226325SP | RQE 139078

Sou ortopedista com formação pelo Hospital Vera Cruz (Campinas/SP) e atuação focada no diagnóstico e tratamento da dor musculoesquelética, especialmente dores na coluna, joelho, quadril e ombro. Atendo pacientes com dores agudas ou crônicas, que muitas vezes convivem com limitações físicas e impacto direto na qualidade de vida.